Motorista do Porsche azul tem 8º pedido de liberdade negado pela Justiça; ele segue preso desde 2024
08/02/2026
(Foto: Reprodução) Vídeo mostra momento da batida de Porsche em carro de motorista de aplicativo
O motorista do Porsche azul, que causou um acidente que matou um homem e deixou outro ferido em 31 de março de 2024 em São Paulo, teve o oitavo pedido de liberdade negado nesta semana pela Justiça. Dessa vez, a decisão foi da 1ª Vara do Júri da capital paulista.
Justiça nega 7º pedido de liberdade para motorista acusado por homicídio e lesão
A defesa de Fernando Sastre Filho pedia a revogação da prisão preventiva do empresário, sugerindo que ele fosse solto com a aplicação de medidas cautelares.
Mas a Justiça paulista negou, alegando que há "indícios suficientes" de que o réu estava embriagado quando perdeu o controle do carro esportivo de luxo e bateu na traseira do Renault Sandero do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana.
Marcus Vinicius Machado Rocha, estudante de medicina e amigo do empresário, que estava no banco do passageiro do Porsche, sobreviveu a batida, mas se feriu com gravidade. Câmeras de monitoramento gravaram a colisão (veja vídeo acima).
Ainda de acordo com a juíza Fernanda Perez Jacomini, ainda há fundamentos que decretaram a prisão preventiva de Fernando em 6 de maio de 2024.
"Dos elementos até então coligidos – notadamente os relatos testemunhais, aliados às demais provas constantes dos autos – extraem-se indícios suficientes de que o réu, ao conduzir veículo automotor, possivelmente sob a influência de álcool, colidiu com o veículo da vítima, ocasionando-lhe o óbito", escreveu a magistrada na decisão.
"A gravidade concreta da conduta, aliada às circunstâncias em que o fato teria ocorrido, revela risco concreto de reiteração delitiva, bem como evidencia a periculosidade do agente", informou a juíza.
O que diz a defesa
O empresário Fernando Sastre, que matou o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana
Reprodução
Procurado para comentar o assunto, Jonas Marzagão, advogado de Fernando, afirmou nesta quinta-feira (5) que seu cliente é o único motorista envolvido em um acidente com morte que segue preso em São Paulo.
"Todos os reús nos casos similares estão respondendo em liberdade, inclusive com teste de bafômetro comprovando o uso do bebida alcoólica, e fuga do local de acidente. O que não aconteceu no caso de Fernando. Ele não fez o bafômetro na ocasião porque a polícia não tinha o aparelho para fazer no momento", falou Marzagão.
"Fernando não pediu socorro porque outras pessoas haviam telefonado e pedido, enquanto era retirado do carro. Mas ele ainda permaneceu no local do acidente até ser liberado pelas autoridades", completou o advogado.
Porsche amarelo
Fantástico ouve testemunha que viu Porsche perseguir motociclista em São Paulo
Além do caso do Porsche azul, outro caso emblemático envolvendo morte no trânsito ocorreu em julho de 2024 na Zona Sul de São Paulo. À época, o empresário Igor Ferreira Sauceda chegou a ser preso preventivamente por usar eu Porsche amarelo para perseguir, atropelar e matar o motociclista Pedro Kaique Ventura Figueiredo.
Laudos concluíram que Igor havia bebido e dirigido em alta velocidade. A polícia o responsabilizou por homicídio com intenção de matar. Mas a defesa dele recorreu e a Justiça soltou o réu em maio de 2025. Um dos motivos para colocá-lo em liberdade foi não ter ameaçado testemunhas.
Recursos no STJ e STF
Traseira do Renault Sandero branco ficou destruída após ser atingida pelo Porsche azul
Rômulo D'Ávila/TV Globo
Fernando aguarda a data do julgamento pelos crimes, que será marcada pela Justiça paulista após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF), ambos em Brasília, avaliarem outros dois recursos da defesa do empresário.
Atualmente o empresário é réu no processo no qual é acusado de homicídio qualificado por "perigo comum" (ter colocado a vida de outras pessoas em risco) cometido na modalidade de "dolo eventual" (por ter assumido o risco de matar o motorista Ornaldo) e "lesão corporal gravíssima" (ao ferir seu amigo Marcus).
Em dezembro de 2025, a defesa do empresário entrou com um habeas corpus no STJ pedindo a mudança do crime de homicídio por dolo eventual para homicídio culposo (sem intenção de matar).
O STJ negou o pedido liminar do habeas corpus. O mérito da solicitação ainda não foi julgado pelos demais ministros.
Os advogados também pediram a retirada da qualificadora do "perigo comum". No entendimento da defesa, Fernando não colocou outras pessoas em risco durante o acidente que matou Ornaldo e feriu Marcus.
Somente após o julgamento do mérito pelo STJ é que o mesmo pedido será analisado pelo STF. No final do anos passado, Fernando deixou no final do ano passado a penitenciária de Tremembé e seguiu para uma prisão em Potim.
Caso do Porsche azul ainda não teve julgamento de motorista acusado por homicídio e lesão
Risco de matar, embriaguez e alta velocidade
Vídeo: Veja como PMs liberaram motorista de Porsche sem teste do bafômetro
O Ministério Público (MP) acusa Fernando de ter assumido o risco de matar Ornaldo e de machucar gravemente Marcus por embriaguez e dirigir em alta velocidade.
A Promotoria acusa o empresário de beber e provocar um acidente de trânsito a mais de 100 km/h na via. O limite para o trecho é de 50 km/h, mas laudo do Instituto de Criminalística (IC) indicou que o Porsche bateu no Sandero de Ornaldo a 136 km/h.
Quando foi interrogado pela Justiça, por videoconferência em agosto de 2024, Fernando voltou a negar que tenha bebido.
Apesar disso, Marcus falou em seus depoimentos à polícia e à Justiça, entre abril e junho de 2024, que o então amigo Fernando bebeu antes de dirigir (veja vídeo abaixo).
Vídeos mostram depoimentos de testemunhas do caso Porsche
As imagens que gravaram o acidente mostram o momento em que o Porsche acelerou e bateu na traseira do carro de Ornaldo, na Avenida Salim Farah Maluf, Zona Leste da capital.
Outras filmagens, feitas por testemunhas da colisão e pelas câmeras corporais dos policiais militares que atenderam a ocorrência, também gravaram o que aconteceu antes, durante e depois do acidente fatal.
O Porsche 911 Carrera GTS que o empresário dirigia era avaliado em mais de R$ 1 milhão.
Pessoas que viram a batida disseram aos agentes da Policia Militar (PM) que o empresário guiava em alta velocidade e estava embriagado quando bateu o Porsche no Sandero. Mas a PM não fez o teste do bafômetro em Fernando.
O empresário deixou o lugar a pé com a ajuda da mãe e de um tio que surgiram depois, com a falsa promessa de que o levariam a um hospital porque estaria sangrando.
Nas imagens das câmeras corporais dos PMs é possível ver a mulher dizendo: "Vamos, Fernando!", para que eles fossem embora.
Veja como foi saída de motorista do Porsche de casa de pôquer antes de acidente